Quantas vendas por mês pra parar de dar prejuízo? E quantas pra bater sua meta de lucro? Esse é o número que todo dono deveria saber de cabeça.
Abaixo do ponto de equilíbrio, você paga pra trabalhar. Saber esse número de cabeça muda como você decide preço, meta e equipe.
Serve pra qualquer negócio que venda repetidas vezes. A palavra unidade só muda de nome conforme o seu caso.
No comércio, unidade é o produto vendido. Se o seu mix é muito variado, use o ticket médio no lugar do preço de um item só.
Em serviço, é o atendimento, a sessão ou o projeto. Vale pra salão, clínica, consultoria e oficina.
Em assinatura, é o cliente ativo no mês, e o resultado vira "quantos assinantes pagam a minha estrutura".
Custos fixos. Tudo que você paga mesmo vendendo zero: aluguel, salários, energia, contador, sistema. O teste é perguntar: se eu não vender nada esse mês, pago isso?
Preço de venda. Pegue o faturamento do mês e divida pelo número de vendas. É o ticket médio, não o preço do seu item mais caro.
Custo variável. O insumo por unidade, mais a taxa da maquininha, mais a comissão. Aluguel e salário não entram aqui, já estão nos custos fixos.
Meta de lucro. Quanto você quer tirar do negócio no mês, limpo. É opcional, e é o campo mais útil da página.
Experimente: pegue o extrato do mês passado e troque os quatro campos pelos seus números.
Você vende por R$ 100 e gasta R$ 40 pra entregar. Sobram R$ 60, a margem de contribuição. Esses R$ 60 não são lucro, são o que paga aluguel, salário e luz. Por isso R$ 25.000 de fixo divididos por R$ 60 dão as 417 vendas.
Agora o outro número: o equilíbrio em faturamento é R$ 41.667. Faturar isso é exatamente zero. Quem olha só o faturamento vê R$ 41 mil entrando e acha que vai bem. É assim que empresa fatura alto e quebra.
Experimente: escreva sua meta de lucro e compare. O primeiro número é sobreviver, o segundo é o que você veio fazer.
Hoje o equilíbrio é de 417 vendas. Se você mexer em cada coisa em 10%, acontece isto:
| Se você mexer em | O equilíbrio vai para |
|---|---|
| Preço, de R$ 100 para R$ 110 | 358 vendas, 14% menos |
| Custo fixo, R$ 2,5 mil a menos | 375 vendas, 10% menos |
| Custo variável, de R$ 40 para R$ 36 | 391 vendas, 6% menos |
| Vender mais | 417 vendas, não muda |
São três mudanças do mesmo tamanho com efeitos bem diferentes. Preço é a alavanca mais forte que você tem, e é quase sempre a última em que o dono mexe. E repare na última linha: vender mais não baixa o equilíbrio, só te leva mais longe depois dele.
Experimente: troque o preço para R$ 110 e veja cair de 417 para 358 na hora.
Contratar. Um salário de R$ 3 mil sobe o equilíbrio de 417 para 467 vendas. A pergunta deixa de ser "eu consigo pagar esse salário" e vira "essa pessoa traz 50 vendas por mês?". Essa segunda pergunta tem resposta.
Dar desconto. 10% a menos no preço derruba a margem de R$ 60 para R$ 50 e sobe o equilíbrio para 500 vendas. Ou seja: 10% de desconto exige 20% mais volume só pra ficar no mesmo lugar.
Seguir ou fechar. Se o equilíbrio está acima do que a sua estrutura dá conta de vender, o problema não é esforço. É o modelo.
Experimente: some ao custo fixo o salário que você está pensando em contratar.
Estimativa para orientar decisão, a partir dos números que você informa. Não é promessa de resultado.